por Marcos Elias
A diversidade de informação e idéias... Eis um mundo livre: bem vindo ao mundo Linux. O Roberto comentou comigo sobre um texto que publiquei esses dias aqui no Explorando, recomendando o Windows NT 4.0 para micros antigos (veja o texto completo aqui). Logo no começo eu falei que o Linux estava descartado, pois a maioria das distribuições atuais rodam bem só com 256 MB de memória RAM ou mais (um pouco menos, um pouco mais, dependendo da distribuição, dos recursos incluídos, etc). Então ele (o Roberto) me falou do PuppyLinux, uma distribuição especialmente otimizada para ocupar poucos recursos do PC. Roda bem em computadores com 64 MB de RAM, por exemplo (eu testei com 64 MB numa máquina virtual; mas sinceramente, com 64 MB de RAM, o Windows NT ganhou em desempenho). Esse linux, que seria um "Totó Linux" ("puppy", "totó", uma forma diminutiva e normalmente carinhosa de se referir a cachorrinhos), rodou do CD muito mais rápido do que qualquer outro sistema operacional (com recursos gráficos) que já passou pelo meu PC: um bom e velho Pentium II 266 MHz, com 288 MB de RAM e 128 MB de vídeo. O ISO dele tem cerca de 80, 90 MB apenas. Vem com programas básicos, eu não explorei tanto a instalação de novos, mas juro que me apaixonei de primeira! Certamente será meu sistema preferido quando meu HD abrir o bico, pois eu posso abrir e salvar coisas no pen drive.
Baixe em:
www.puppylinux.org
e grave a imagem ISO em CD, usando a opção "Gravar imagem" do seu programa de gravação. Se preferir, use diretamente o ISO e rode-o numa máquina virtual (veja o tutorial do VMware na seção "Matérias", no hotsite do Explorando, que você acessa pelo menu do blog). Mesmo se você usa o Windows, é uma boa para iniciar no Linux, com o Puppy. Você pode rodá-lo no VMware, que agora é gratuito :)
Veja algumas imagens de tela:




O visual a primeira vista é feinho, perto do Windows XP, das versões recentes do Gnome e do KDE, etc. Mas o sistema é muito ágil e rápido, mesmo rodando do CD.
Ele inclui o Abiword, um processdor de textos que abre boa parte dos arquivos ".doc" do Word, mas a compatibilidade é menor do que com o OpenOffice. Me surpreendeu o tempo de abertura do Abiword, praticamente instantâneo; a versão para Windows demora mais para abrir no meu computador do que o Word 2007! Continuando falando do Puppy, o navegador é muito bom, o SeaMonkey, baseado no Mozilla (salve Firefox!). Inclui também o Dillo, um navegador leve. Para capturar imagens de tela, senti falta da tecla Print Screen, e mais, do KSnapshot. Mas ele inclui o atalho para o mtPaint snapshot, no menu "Graphic". Ao clicar nele ele dá alguns segundos. Exiba na tela o que você quer, e espere até que ele capture a imagem (uns 8 ou 10 segundos, não lembro), e então ele abre uma tela do mtPaint. Para editar arquivos de texto puro, use o Geany, ou o atalho "Edit" da área de trabalho. Em termos de multimídia não tenho nada a elogiar, pois um caractere que eu teclava no Geany fazia a música em mp3 parar, e só voltava ao terminar de digitar. Clicar com o mouse nas outras janelas, então... Posso estar errado, mas pelo que vi, não traz suporte a WMV e WMA por padrão (tentei abrir um vídeo WMV e acusou falta de codec, não tentei um mpeg porque não tinha nenhum aqui por perto). Use Alt + 1 e Alt + 2 para alternar entre duas áreas de trabalho virtuais (sim, mesmo sendo um sistema leve, ele já vem preparado com dois desktops virtuais!). Baixe e rode do CD por você mesmo, explore os menus, tem bastante coisa interessante :) Rodei ele com 288 MB de RAM no meu micro, não é tão "pouca memória", então não sei como ele se comportaria de fato com 128 MB, 64 ou 32. No VMware, rodando com 128 MB, o desempenho foi inacreditavelmente rápido, também! Só ficou perdendo um pouco devido o driver VESA, genérico para vídeo, já que usando o X.org "normal" não abria o vídeo no VMware. Ah, de quebra, o Puppy Linux permite ler e gravar em partições NTFS! Mas por padrão roda do CD, com todas as partições desmontadas, sem alterar nada no HD. Ao desligar, permite salvar os arquivos (o "home", basicamente, e as configurações) num arquivo, e durante a inicialização (nos próximos boots do CD) ele checa por esse arquivo para carregar as opções a partir dele. O arquivo pode ser salvo em pen drives ou em partições no HD, mesmo em partições NTFS; pode até mesmo ser adicionado em multisessões, no CD do Puppy! (Já que o sistema ocupa menos de 100 MB, restam mais de 600 MB livres no CD). Não sei sobre a estabilidade dele com NTFS, não vou ficar brincando muito por ter arquivos sérios no HD que não posso perder. Particularmente, amei o MUT Media Utility Tool, presente no menu "Filesystem", que permite montar e desmontar as partições detectadas num piscar de olhos:
Claro, por ser Linux, muitas coisas são diferentes da forma como é no Windows. O acesso às pastas, ao pen drive, disquetes, etc. Não tente ver qual é melhor ou pior. O "Totó" Linux é extremamente ágil e funcional, cumpre bem o que promete. Se você quer um Windows leve, fique com o NT 4.0. Se quer um Linux, use o Puppy!
Dica: ele já vem logado como root. Para alterar a senha de root, ou seja, definir uma nova, digite passwd num shell (o "prompt de comando" do Linux).
Quem tem mouse PS/2 ou USB, não leia este parágrafo. Reclamações? Meu mouse!!! Mardito mouse serial, o Linux parece ter ódio de mouses seriais. Outro dia abri o computador para limpeza, como faço de vez em quando. Na hora de montar, conectei o mouse na porta COM2, sem querer. O Windows ao ser iniciado reconhece e usa o mouse normalmente. Mas não espere isso do Linux. Que desespero. Ao voltar para a porta COM1, funcionou normalmente (no Kurumin 7.0). (Bastaria editar manualmente o arquivo de configuração do X, alterando a porta, mas o Windows detecta as mudanças automaticamente; ponto pras janelas). O Puppy agiu como todos os Linuxes que rodei no meu PC. Todos não, peraí... O Kurumin 4 e 5 reconheceram meu mouse serial com roda, mas não um antigo serial sem roda que eu tinha. Apesar de terem reconhecido o mouse automaticamente, a roda não funcionava, devendo ser configurada manualmente. Isso é um pé no saco, os amadores de Linux que me perdôem, mas é irritante. No caso do Puppy, o conhecimento arquirido com as muitas dores de cabeças com distribuições anteriores, ajudou para que eu não me batesse tanto. De imediato o mouse serial não funcionou :( como já era esperado, mas nem me decepcionei. Ao rodar um Linux que nunca usei do CD, eu me preparo psicologicamente para o pior, para não quebrar o CD nem sair xingando a mãe do desenvolvedor. Mas no caso do Totozinho, pelo menu "Menu > Setup > Mouse/Keyboard Wizard" foi fácil fazer os ajustes, depois bastando reiniciar o X (até para isso existe um menu, em "Menu > Shutdown > Restart X Server"). Está de parabéns o Barry Culer, desenvolvedor oficial do projeto Puppy Linux. Mas eu só pude chegar até lá com atalhos de teclado, usando as setas de direção e a tecla TAB. No começo foi um sufoco, morri de raiva do Kurumin ao ver a linda tela dele sem poder tocar em nada na primeira vez que o rodei, justamente por não ter detectado o mouse. E fiquei semanas e semanas tendando combinações de atalho, até poder abrir o menu correspondente ao "Iniciar". Depois, moh sufoco até enecontrar a configuração do mouse... Eu cheguei a dizer a meio mundo que odiava Linux. E não era para menos! Ele não é um sistema para qualquer um, a pessoa precisa ter mínimas noções de hardware e ler alguma coisa sobre o sistema, senão, pode se bater legal. Este parágrafo tem um toque muito pessoal, mas todo mundo que se bateu um dia com o mouse serial no Linux sabe bem do que estou falando.
Se você quiser, pode comprar por um pequeno valor um CD bootável com o Puppy pré gravado aqui no Explorando, e recebê-lo em casa pelos Correios, caso não possa ou não tenha conexão para baixá-lo, ou se não tiver gravador de CD. Para comprar o CD, acesse www.mepsites.cjb.net e clique na chamada dos CDs.
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